O Porto do Recife encerrou o primeiro semestre de 2026 com o melhor desempenho de sua história recente: 4,2 milhões de toneladas movimentadas, crescimento de 18% em relação ao mesmo período de 2025. Os dados foram divulgados pela Companhia Docas de Pernambuco nesta terça-feira.
O principal motor do crescimento foi a exportação de frutas tropicais — manga, melão e uva do Vale do São Francisco —, que respondeu por 31% do total movimentado. A demanda europeia, especialmente de Holanda e Portugal, cresceu 22% no período.
Infraestrutura e gargalos
Apesar dos números positivos, operadores portuários alertam para gargalos que podem limitar o crescimento nos próximos anos. A principal preocupação é a capacidade de armazenamento refrigerado, insuficiente para atender a demanda crescente de produtos perecíveis.
O presidente da Companhia Docas, Renato Albuquerque, anunciou um investimento de R$ 180 milhões em novos armazéns frigorificados, com previsão de conclusão para o segundo semestre de 2027. "Precisamos ampliar a capacidade antes que os embarques comecem a ser desviados para outros portos", afirmou.
Impacto regional
O aquecimento portuário tem reflexos diretos no mercado de trabalho da Região Metropolitana. Segundo o Sindestiva, o sindicato dos estivadores, o número de trabalhadores avulsos contratados cresceu 14% no semestre, chegando a 2.800 trabalhadores ativos.